Neutralidade e críticas à politização do Supremo
Reeleita com 53% dos votos no primeiro turno, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), mantém posição neutra na disputa presidencial, apesar de ter sido procurada por interlocutores tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao GLOBO, Lyra reforça que não pretende declarar apoio a nenhum dos nomes e ressalta que continuará concentrada na gestão do estado, que exige atenção imediata.
Ela destacou que a eleição presidencial não pode se transformar em um embate sobre qual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) sofrerá impeachment. “A gente não pode entrar em um ambiente em que a disputa eleitoral é sobre quem será o ministro do STF a sofrer impeachment”, afirmou. A governadora defende a necessidade de julgamentos transparentes sobre eventuais escândalos, mas ressalta que debates sobre reformas no Judiciário, como a adoção de mandatos para ministros, não devem ocorrer no calor das eleições.
Parcerias e desafios da campanha
Raquel Lyra relatou ter recebido ligações de aliados do presidente Lula, incluindo ministros e parlamentares como Rui Costa, Humberto Costa e Marília Arraes, que manifestaram interesse em estabelecer uma parceria para o desenvolvimento de Pernambuco. “O Lula é um presidente pernambucano. Ele iniciou obras e investimentos importantes aqui que agora estamos retomando”, afirmou a governadora, que vê essa cooperação como fundamental para garantir estabilidade e segurança jurídica no país.
Por outro lado, também confirmou contatos com integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro, mas reforçou que sua prioridade é o estado. “Vou me manter ao lado do povo pernambucano. Isso é dizer que os interesses do meu povo estão acima dessa discussão que está acontecendo agora no Brasil”, disse.
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Campanha marcada por ataques e fake news
Sobre a disputa eleitoral, Lyra afirmou ter enfrentado a campanha mais violenta da história de Pernambuco, marcada por ataques pessoais e divulgação de fake news. Ela relatou que adversários usaram mentiras para desconstruir sua imagem, com acusações falsas e manipulação de fotos, tudo judicializado atualmente. “Houve uma rede de milhares de robôs compartilhando fake news. Isso é método de uma política que não quer ver a discussão feita dentro das quatro linhas do jogo democrático”, declarou.
Questionada sobre um vídeo que sugeria a realização de laqueadura sem consentimento, ela esclareceu que a frase foi tirada de contexto e acompanhada por trecho inaudível. “Foi uma fala absolutamente descontextualizada, que não representa quem eu sou ou quem eu faço”, afirmou, destacando que o vídeo foi divulgado muito tempo depois de gravado, com objetivos políticos.
Posição sobre investigações e impeachment no Judiciário
Raquel Lyra ressaltou que qualquer processo de impeachment de ministros do STF deve seguir o devido processo legal, com responsabilização para quem for comprovadamente envolvido em irregularidades. No entanto, criticou que o tema esteja sendo usado como estratégia política na eleição. “Pode se discutir reforma do Judiciário, mas não no calor da eleição”, afirmou.
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Ela também negou envolvimento com “milícia digital” durante a campanha, afirmando que seu método é o diálogo direto com a população. “A Justiça vai dizer quem está falando a verdade. A Justiça e a polícia. Os elementos estão lá”, completou.
Reflexões sobre o avanço da direita e os desafios do país
Ao comentar o avanço da direita no Nordeste, mesmo com Lula tendo mais votos na região, Lyra apontou a necessidade de pacificação e união em torno de projetos que promovam crescimento econômico justo e sustentável. Para ela, o país não deve estar refém da polarização, e sim buscar soluções que atendam ao interesse do povo.
“É um desserviço discutir a sucessão do presidente antes do fim do mandato. O próximo governo precisa ser de pacificação e transição da polarização para um debate sobre o interesse maior da população”, finalizou. A governadora reafirmou seu compromisso em ser a melhor gestora que Pernambuco possa ter neste mandato, focando nas demandas locais e administrativas do estado.

