Perfil dos Empreendedores no Rio Grande do Sul
O Sebrae RS realizou uma pesquisa detalhada com empreendedores de 19 cidades do Rio Grande do Sul, abrangendo tanto regiões centrais quanto periferias. O estudo, discutido no podcast Nossa Economia, da GZH, com participação do gerente de Estratégia André Campos e da coordenadora Andreia Nascimento, mostra contrastes e semelhanças na forma como esses negócios são conduzidos.
Empreendedorismo nas Periferias: Resiliência e Identidade
Nas periferias, o empreendedorismo é marcado pela “ética da sevirologia”, ou seja, a necessidade constante de se virar para gerar renda, com uma gestão baseada em experiências pessoais e aprendizado pela tentativa e erro. Muitos atuam sozinhos, especialmente mulheres, que enfrentam a sobrecarga do trabalho doméstico e o cuidado dos filhos. O negócio, nesse contexto, transcende a atividade econômica: é uma expressão de identidade coletiva, uma ferramenta para emancipação social e valorização cultural local.
Esses empreendedores contam com redes de apoio baseadas na reciprocidade e na ajuda mútua, criando verdadeiros ecossistemas adaptados à realidade local. A escassez de recursos impulsiona processos inovadores e fortalece a resiliência comunitária, permitindo que o negócio seja um meio para que o indivíduo assuma o controle da própria trajetória.
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Empreendedorismo nas Regiões Centrais: Planejamento e Estrutura
Nas áreas centrais, os negócios costumam começar de forma planejada e intencional, com ênfase na qualificação prévia. Para muitos, empreender é um novo ciclo de vida, uma forma de se manter ativo e preservar vínculos familiares e experiências pessoais. O acesso a recursos financeiros, redes de apoio consolidadas e conhecimento estruturado é significativamente maior.
O uso estratégico da tecnologia, especialmente entre Millennials e a Geração Z, é um diferencial. No entanto, o desafio de equilibrar o atendimento digital com o toque humano permanece, já que clientes mais velhos valorizam esse aspecto. A definição de sucesso vai além do retorno financeiro, incluindo qualidade de vida, tempo para a família e saúde mental. Para os mais jovens, há também o desejo de liberdade geográfica e a rejeição a modelos de trabalho exaustivos.
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Apesar das vantagens, esses empreendedores enfrentam desafios como gestão de pessoas, alta concorrência e a necessidade constante de profissionalização para se manterem competitivos. O negócio, para eles, é um projeto de vida que busca otimizar oportunidades e garantir bem-estar, apoiado por uma infraestrutura mais robusta.

