Expansão acelerada da Geely no mercado internacional
A Geely, uma das maiores fabricantes de automóveis da China, anunciou um aumento significativo em sua meta de exportações para este ano. A empresa projeta enviar 920 mil veículos ao exterior, um crescimento de 23% em relação ao planejado anteriormente. No primeiro semestre, as remessas internacionais da montadora mais que dobraram, alcançando 474.228 unidades exportadas. Esse desempenho reforça a estratégia da Geely de focar nos mercados externos, diante da retração do setor automotivo no mercado doméstico chinês.
Contexto do mercado chinês e impacto nas exportações
O mercado interno de automóveis na China enfrenta uma queda expressiva, com vendas que caíram 20% no primeiro semestre e uma expectativa de retração de 14% para o ano. Esse cenário enfraquece o consumo local e torna as exportações essenciais para a continuidade do crescimento da Geely. Apesar do recuo de 1,8% no lucro total acumulado no semestre, que ficou em 9,09 bilhões de yuans (equivalente a R$ 6,9 bilhões), a empresa superou as projeções dos analistas. O lucro líquido no segundo trimestre chegou a 4,9 bilhões de yuans, um aumento de 36% em relação ao mesmo período anterior. A reação positiva no mercado financeiro, com alta de 4,8% das ações da Geely na bolsa de Hong Kong, evidencia a confiança dos investidores nas estratégias adotadas.
Desafios na disputa com a BYD
Embora a Geely tenha avançado em suas exportações, a BYD mantém uma liderança robusta no mercado global. No primeiro semestre, a BYD vendeu 812.700 veículos fora da China, quase o dobro da Geely no mesmo período. Essa diferença evidencia o desafio da Geely em construir uma rede internacional de distribuição competitiva, mesmo com um portfólio diversificado que inclui veículos elétricos e híbridos. A marca Zeekr, parte do grupo Geely, tem contribuído para elevar o valor médio dos modelos vendidos, com o SUV Zeekr 9X liderando as vendas na China entre veículos com preços acima de 500 mil yuans (aproximadamente R$ 380.400). O preço médio dos automóveis da Geely subiu para 112 mil yuans (R$ 85.200), um aumento de 15 mil yuans (R$ 11.400).
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Produção local e parcerias estratégicas
Para ampliar sua presença global, a Geely firmou um acordo para utilizar a capacidade ociosa da fábrica da Ford em Valência, na Espanha, visando expandir a produção fora da China. No Brasil, a montadora estabeleceu parceria com a Renault para viabilizar a fabricação local dos modelos crossover EX5 e hatch EX2 (conhecido como Xingyuan na China). A adaptação da fábrica no Paraná para a produção da Geely foi concluída em 33 dias, mobilizando cerca de 2,5 mil profissionais. A demanda pelo EX2 no país superou as expectativas, antecipando a produção para este ano.
Fornecimento e liderança em veículos elétricos
A Geely também fechou contrato com a fabricante brasileira de baterias Moura, enquanto os pneus devem ser fornecidos pela chinesa LingLong. O hatch EX2 foi destaque global ao se tornar o carro elétrico compacto mais vendido do mundo em 2025. Essa combinação de exportações maiores, produtos com valor agregado elevado e fabricação local reforça a estratégia da Geely para reduzir a dependência do mercado chinês e diminuir a vantagem da BYD na competição internacional.

