Fluxo Cambial Reverte Queda e Alcança Melhor Resultado em Anos
O Brasil registrou uma expressiva entrada líquida de dólares no primeiro semestre, totalizando US$ 17,78 bilhões (aproximadamente R$ 91 bilhões), segundo dados do Banco Central. Este é o melhor resultado nominal desde 2018, quando o saldo foi ainda maior, alcançando US$ 22,52 bilhões. A movimentação representa uma reversão significativa em relação ao ano anterior, que teve a maior saída líquida da série histórica, com US$ 14,34 bilhões em fluxo negativo no mesmo período.
Investimentos Estrangeiros e Exportações Contribuem para o Fluxo Positivo
Além do fortalecimento nas exportações, especialmente impulsionadas pelo preço elevado do petróleo, o aumento dos investimentos estrangeiros desempenha papel fundamental na melhora do fluxo cambial. Com a redução dos juros nos Estados Unidos e a instabilidade política associada ao governo de Donald Trump, investidores internacionais buscam diversificação, direcionando capital para economias emergentes como o Brasil.
Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura, destaca que “para o investidor, é difícil encontrar grandes países com estabilidade, especialmente entre emergentes, e o Brasil se destaca nesse cenário”.
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Na Bolsa de Valores B3, o saldo de investimentos estrangeiros foi positivo em R$ 36,7 bilhões no primeiro semestre, superando os R$ 26,9 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Durante este ano, o dólar recuou 6% frente ao real, cotado atualmente a R$ 5,12. Paralelamente, o Ibovespa subiu 5,9%, atingindo 172 mil pontos.
Previsões Apontam para Mudanças na Segunda Metade do Ano
Apesar do desempenho favorável, economistas indicam que a tendência pode se inverter no segundo semestre. As expectativas são de que as taxas de juros americanas e a Selic brasileira não sofram quedas significativas como previsto anteriormente. Além disso, os riscos geopolíticos no Oriente Médio e a proximidade das eleições presidenciais no Brasil aumentam a aversão ao risco no mercado.
Relatório do Itaú BBA aponta que, em junho, o segmento financeiro apresentou saídas líquidas relevantes, refletindo a perda de força no financiamento externo, especialmente após a intensificação das tensões no Oriente Médio. O banco revisou suas projeções para a taxa de câmbio, estimando R$ 5,30 para 2026, acima dos R$ 5,15 anteriores, e R$ 5,50 para 2027, contra R$ 5,35 anteriormente.
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Fonte: olhardanoticia.com.br
Na última quarta-feira (8), o BTG Pactual também atualizou suas projeções para o câmbio, elevando a expectativa para o final de 2026 de R$ 4,90 para R$ 5,40. Os economistas do banco atribuem essa revisão a dados mais fortes da atividade econômica e do mercado de trabalho dos EUA, além da persistência da inflação, o que pode levar a uma política monetária mais rigorosa por parte do Federal Reserve.
O BTG prevê que, nos próximos meses, o Brasil continue a receber dólares pelo lado comercial, enquanto o fluxo financeiro deve se manter volátil. Outro fator que aumenta a pressão sobre os juros é a inflação, influenciada pelo aumento nos custos dos insumos, como fertilizantes devido ao conflito no Oriente Médio, e pela chegada do fenômeno El Niño, que deve manter os preços dos alimentos elevados.

