A migração extraordinária dos salmões no Yukon
Todo ano na primavera, milhões de salmões deixam as águas oceânicas para enfrentar uma rota desafiadora no rio Yukon, no Alasca. Nessa jornada, esses peixes nadam cerca de 2.900 quilômetros rio acima, sem se alimentar durante todo o percurso. Essa migração é uma das mais longas registradas no reino animal e sustenta tanto a fauna local quanto as comunidades que dependem da pesca de subsistência há gerações.
Além de alimentar os ecossistemas locais, essa movimentação atrai pescadores de várias regiões. Entretanto, o número de salmões tem diminuído, o que levou à implementação de restrições para a pesca e evidenciou a necessidade de monitorar melhor esses estoques naturais.
Desafios para acompanhar a migração
O monitoramento dos salmões no Yukon envolve métodos tradicionais como o uso de vertedouros e sonar, que ajudam a estimar quantos peixes retornam para desovar. Porém, o aquecimento acelerado do Ártico tem complicado essa tarefa. Eventos climáticos extremos, como cheias intensas, alteram os padrões dos rios e prejudicam o funcionamento dos equipamentos usados na contagem.
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Outro problema recente é a liberação de minerais tóxicos resultantes do derretimento do permafrost, que já afetou mais de 200 rios no Alasca desde 2019. Essa alteração na qualidade da água pode comprometer a saúde das populações de peixes, ampliando as preocupações ambientais.
Inovação no acompanhamento: o DNA ambiental
Para superar esses obstáculos, pesquisadores da Universidade de Nevada e da Universidade do Alasca Fairbanks testam uma técnica inovadora chamada DNA ambiental (eDNA). Esse método consiste na coleta de amostras de água para identificar vestígios genéticos deixados pelos salmões durante a migração.
O projeto, financiado pelo Centro de Ciência de Adaptação Climática do Alasca, da Agência Geológica dos Estados Unidos, conta com a participação de colaboradores locais em cinco tributários do Yukon. Eles coletam amostras diariamente durante as contagens tradicionais, permitindo a comparação dos dados e a validação da técnica.
Vantagens do eDNA em um cenário de mudanças ambientais
O uso do DNA ambiental representa uma solução promissora para monitorar espécies como os salmões Chinook e Chum, especialmente diante das condições extremas que dificultam os métodos convencionais. Como o eDNA não depende da observação direta dos peixes, ele pode ser utilizado mesmo quando equipamentos falham devido ao clima adverso.
Essa abordagem oferece dados valiosos para decisões relacionadas à conservação e à pesca sustentável, auxiliando pesquisadores e comunidades locais a acompanhar os estoques de salmão com maior precisão e segurança em um ambiente fluvial cada vez mais instável.

