Lucas Pinheiro Braathen opta pelo Brasil na Copa do Mundo
O confronto entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo coloca Lucas Pinheiro Braathen, esquiador alpino com trajetória marcada por conquistas, em um dilema de torcida. Nascido em Oslo e capitão da seleção norueguesa de esqui, Lucas tem dupla nacionalidade, mas escolheu apoiar a Seleção Brasileira comandada por Carlo Ancelotti.
Em entrevista à GQ Brasil, o atleta declarou: “Fico feliz em ver a Noruega em uma Copa do Mundo depois de 28 anos sem jogar, mas meu coração é verde e amarelo no domingo. Eu escolhi ser brasileiro. O Brasil representa minhas raízes, minha família e uma parte essencial da minha identidade.”
Raízes brasileiras e a paixão pelo esporte
Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas cresceu dividido entre Oslo e o interior de São Paulo, onde grande parte da família materna vive. Essa vivência reforçou sua ligação com o Brasil e com o futebol, esporte que lhe despertou a paixão pelo movimento esportivo desde a infância. “Eu cresci meu amor pelo esporte aqui no Brasil, jogando futebol na rua de São Paulo”, contou à CNN em maio de 2024.
Referências como Ronaldinho, Ronaldo e Neymar não foram apenas ídolos técnicos, mas símbolos de histórias que iam além dos títulos. Lucas destaca: “Eu queria escrever uma história maior do que o esporte que eu praticava. Sempre vai surgir um novo esquiador da Noruega. Mas não é sempre que surge um esquiador do Brasil.”
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Trajetória e decisão de trocar a Noruega pelo Brasil
Antes de defender o Brasil, Lucas já se destacava no circuito mundial do esqui alpino. Vencedor da Copa do Mundo de slalom na temporada 2022-23, ele acumulou vitórias importantes representando a Noruega, potência tradicional do esporte.
Em 2023, após divergências com a federação norueguesa relacionadas à autonomia e direitos de imagem, anunciou aposentadoria precoce. Poucos meses depois, surpreendeu ao retornar ao circuito defendendo a bandeira brasileira.
Essa mudança teve um duplo significado para o atleta: estratégico, pelo maior controle sobre sua carreira; e simbólico, por abrir caminho para o esporte de inverno no Brasil. “Quero trazer 200 milhões de pessoas para o esporte de inverno. Quero ser uma inspiração. Não importa de onde você é. Não existem limitações, só oportunidades.”
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Repercussão da escolha e peso histórico
A decisão dividiu opiniões na Noruega, com críticas e reconhecimento pela coragem. No Brasil, a recepção foi calorosa, apesar do esqui ainda ser pouco popular no país.
Lucas carregou o peso histórico de ser o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos de Inverno, feito inédito para o país. Ele não se intimida com essa responsabilidade. “Eu não voltei para esse esporte para participar. Eu adoro o gosto do ouro.”
Quanto ao próximo jogo entre Brasil e Noruega, o atleta prefere não arriscar um placar, mas aposta na classificação brasileira: “Vai dar Brasil”.

