O fim de uma era na seleção alemã
A trajetória de Julian Nagelsmann à frente da seleção alemã pode estar chegando ao fim, após uma sequência de erros que culminaram na eliminação da equipe nos oitavos de final do Mundial contra o Paraguai. Mais do que um resultado isolado, a derrota escancara problemas profundos, que vão desde a ausência de uma identidade tática clara até falhas na comunicação e na gestão do elenco. A Sky Sports levantou os principais pontos que colocam em xeque o futuro do treinador.
Desafios táticos e ausência de liderança em campo
Embora reconhecido por muitos jogadores como um técnico de alto nível técnico, Nagelsmann não conseguiu evitar decisões equivocadas que pesaram negativamente no desempenho da seleção. A saída de Toni Kroos deixou um vazio de liderança no meio-campo, que não foi preenchido de forma eficiente. A manutenção de Joshua Kimmich na lateral-direita, mesmo atuando como meio-campista no Bayern, foi um dos erros mais criticados, prejudicando a fluidez do time.
No Mundial, a movimentação de Kimmich para o centro do campo deixava o flanco direito vulnerável, com Leroy Sané isolado e os defensores adversários tendo mais facilidade para neutralizar o ataque alemão. Essa previsibilidade tática acabou comprometendo outras estrelas da equipe, que ficaram sem o suporte necessário. O ex-capitão Ilkay Gundogan resumiu bem a situação em entrevista ao Spiegel, destacando a falta de ideias e a ausência de uma identidade clara em campo.
Convocatória desequilibrada e problemas de gestão
A escalação da Alemanha para o Mundial apresentou desequilíbrios notáveis. A falta de um lateral-direito de ofício para substituir Kimmich é um dos erros mais apontados a Nagelsmann. Lesões de jogadores importantes, como Nico Schlotterbeck e Serge Gnabry, e o desempenho abaixo do esperado de nomes como Jamal Musiala e Florian Wirtz, agravaram a situação, mas a responsabilidade pela falta de versatilidade do elenco é do treinador.
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Fonte: atividadenews.com.br
A gestão dos jogadores também gerou controvérsias. No terceiro jogo da fase de grupos, Nagelsmann optou por escalar Malick Thiaw, Pascal Gross e Maximilian Beier, deixando de fora atletas mais estabelecidos como Waldemar Anton e Leon Goretzka. Apesar de ter afirmado que em jogos decisivos faria outras escolhas, essa decisão minou a hierarquia dentro do grupo.
O caso de Goretzka é emblemático: afastado em 2024, foi reintegrado com promessa de protagonismo, mas acabou no banco durante o Mundial. Nick Woltemade, destaque nas eliminatórias, não teve minutos e perdeu um pênalti decisivo. Deniz Undav, melhor artilheiro da Alemanha no torneio, recebeu apoio da torcida, mas não do treinador.
Comunicação falha e ambiente conturbado
Além das falhas táticas e de gestão, a comunicação entre Nagelsmann e o grupo foi apontada como problemática. A escolha do local de concentração em Winston-Salem, nos Estados Unidos, desagradou jogadores que sentiam tédio e falta de opções para os dias de descanso. A equipe técnica, formada por colaboradores próximos do treinador desde o TSG Hoffenheim, foi vista como uma “bolha” sem questionamentos, contrastando com figuras anteriores, como Sandro Wagner, que tinha boa relação com o grupo.
Internamente, o treinador frequentemente usava mensagens curtas via WhatsApp, evitando conversas mais longas, especialmente sobre convocações. A desconfiança se estendeu à preparação física, com a dispensa do fisioterapeuta Michael Deiss e a contratação emergencial do Dr. Jürgen Siegele, após reclamações dos jogadores, que já demonstravam desgaste visível nas partidas.
Casos como o de Oliver Baumann, que soube da perda da titularidade por entrevista, e as declarações de Mats Hummels, que criticou a falta de transparência de Nagelsmann, evidenciam um ambiente fragilizado. Jogadores como Niclas Fullkrug e Tim Kleindienst também foram afetados por promessas não cumpridas, refletindo na confiança dentro do elenco.
Impactos físicos e próximos desafios
A fragilidade física da seleção ficou evidente desde a segunda rodada da fase de grupos, com jogadores demonstrando queda de rendimento e dificuldades nos duelos individuais. A contratação do fisioterapeuta externo foi uma tentativa de minimizar o desgaste, mas os resultados ficaram aquém do esperado.
Com a eliminação precoce no Mundial 2024, a Alemanha precisa repensar sua estrutura técnica e de gestão para recuperar a competitividade em competições futuras. A saída de Nagelsmann parece cada vez mais certa, e o processo de reconstrução terá que considerar as falhas expostas nos últimos meses para evitar nova queda brusca.
Tabela e próximos passos
Após a eliminação nos oitavos de final, a seleção alemã encerra a participação no Mundial sem apresentar uma proposta consistente de jogo. A expectativa agora é pela definição do novo comando técnico, que terá como desafio reconstruir a equipe, definir identidade clara e preparar o elenco para as próximas competições internacionais.

