Incentivo digital para mobilidade ativa em Recife
O Recife, conhecida por seu trânsito congestionado, aposta em tecnologia para incentivar a mobilidade urbana sustentável. A Prefeitura lançou o programa “Mova-se pelo Futuro”, que recompensa quem se desloca a pé ou de bicicleta, seja convencional ou elétrica, para as atividades do dia a dia. O programa funciona por meio da plataforma Conecta Recife, dispensando o download de novos aplicativos para facilitar o acesso dos usuários.
Para acumular pontos, o sistema exige que os trajetos estejam relacionados a deslocamentos reais, como ir de casa ao trabalho, escola ou comércio, excluindo atividades de lazer ou treinos esportivos. A validação dos percursos é feita por GPS e registrada no sistema BionChain, que converte as viagens sustentáveis em Créditos H3RO. Esses créditos podem ser trocados por benefícios no marketplace da plataforma, incentivando a adesão ao transporte ativo.
Parceria entre inovação tecnológica e gestão pública
O programa foi desenvolvido pela Bion Global Biocredits Ltda., selecionada via edital do EITA Labs, com suporte técnico da Empresa Municipal de Informática (Emprel) e da Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia (SECTI). O secretário Rafael Cunha explicou que o EITA Labs funciona como um ambiente que aproxima a inovação da gestão pública, permitindo testes colaborativos e responsáveis em condições reais. O objetivo é promover soluções que impactem positivamente tanto a cidade quanto seus moradores.
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A fase experimental do programa terá duração de um ano, sendo acompanhada de perto para avaliar o engajamento da população e a escalabilidade da tecnologia. Essa iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da Prefeitura para diminuir as emissões de carbono e consolidar uma cultura de mobilidade sustentável no Recife.
Desafio da infraestrutura cicloviária estagnada
Embora a tecnologia ofereça um estímulo relevante para o uso de bicicletas, a infraestrutura cicloviária da cidade enfrenta dificuldades. Atualmente, Recife possui pouco mais de 200 km de rotas para bicicletas, mas apenas 47,2 km foram entregues entre 2021 e abril de 2024, menos da metade da meta de 100 km estabelecida para a gestão atual.
Dados da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) revelam que a média anual de expansão da malha cicloviária caiu de 16% até 2020 para 4% a partir de 2021. O Plano Diretor Cicloviário (PDC), que orienta o desenvolvimento da rede, teve apenas 28% de sua extensão prevista implementada até agora.
Outro ponto crítico é a qualidade da malha existente: mais de 90% das rotas são ciclofaixas, que não possuem segregação física dos veículos motorizados e estão geralmente localizadas em vias secundárias com menor fluxo de trânsito. Essa configuração limita a segurança e a atratividade do uso da bicicleta como meio de transporte principal na cidade.
O desafio está em alinhar o avanço tecnológico do programa de recompensa com o desenvolvimento efetivo da infraestrutura, garantindo que a mobilidade ativa tenha condições reais de se expandir e impactar positivamente o cotidiano dos recifenses.

