Recife lidera inovação em mobilidade ativa
Recife se destaca como a primeira cidade brasileira a premiar seus cidadãos por optarem pela mobilidade sustentável. Caminhar ou pedalar para o trabalho, faculdade ou mercado não trará apenas saúde, mas também recompensas reais aos moradores. A capital pernambucana implementou uma tecnologia capaz de identificar e validar esses deslocamentos, calcular a redução do impacto ambiental gerada pela substituição do transporte motorizado e converter essas ações em pontos que podem ser trocados por benefícios.
Projeto Mova-se pelo Futuro integra plataforma oficial da Prefeitura
Desenvolvido pela climate tech Bion Global, o projeto “Mova-se pelo Futuro” está disponível no Conecta Recife, plataforma digital da Prefeitura, com acesso gratuito para os usuários. A iniciativa marca a estreia da tecnologia da Bion voltada exclusivamente para mobilidade ativa, testada no ambiente de experimentação E.I.T.A! Recife, que oferece infraestrutura para soluções inovadoras na cidade.
Márcio Rodrigues, fundador da Bion Global e ecologista, destaca que o diferencial do projeto é a integração dentro do aplicativo oficial da Prefeitura, evitando a necessidade de um novo app. O sistema incentiva a substituição de deslocamentos motorizados por caminhadas e pedaladas que tenham finalidade prática, diferenciando esses trajetos de atividades puramente recreativas.
Como funciona o sistema de pontos e recompensas
O foco está nos trajetos diários para compromissos como trabalho, faculdade ou mercado. Ao registrar o deslocamento, a plataforma valida a atividade e atribui pontos que podem ser trocados por recompensas oferecidas por empresas parceiras, como a 99. Os pontos acumulados podem ser convertidos em vouchers, descontos e até benefícios relacionados a seguros para bicicletas e acidentes pessoais.
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Fonte: cidaderecife.com.br
Essa rede de parcerias cria um ecossistema onde ações ambientais são reconhecidas e valorizadas economicamente. A Bion busca ampliar a participação de empresas, incluindo parceiros locais, para fortalecer e expandir a iniciativa.
Impacto ambiental convertido em crédito de ação climática
Um dos aspectos inovadores é a transformação do impacto ambiental dos deslocamentos em “créditos de ação climática”. Diferente dos créditos de carbono tradicionais, esses créditos não podem ser usados para compensar emissões corporativas, mas funcionam como uma métrica que confirma a realização de ações concretas em prol do meio ambiente.
Cada ponto atribuído pela plataforma equivale à redução de 3 kg de carbono. Com essa métrica, as empresas oferecem recompensas em troca do impacto ambiental gerado pelos usuários, criando um sistema transparente e rastreável, diferente de patrocínios tradicionais.
Financiamento e transparência do projeto
O modelo financeiro da iniciativa varia conforme o tipo de parceria. Algumas empresas oferecem benefícios sem remuneração à plataforma, enquanto em outros casos a Bion recebe uma porcentagem das operações realizadas. Durante o período experimental de 12 meses no Recife, os recursos obtidos são reinvestidos na operação, com prestação de contas clara sobre a arrecadação e aplicação dos recursos, incluindo recompensas e infraestrutura tecnológica.
Empresas interessadas podem se cadastrar diretamente pelo serviço disponível no aplicativo da Prefeitura. A entrada da Bion em Recife foi facilitada pelo ambiente de inovação E.I.T.A! Recife, que permite que startups testem inovações com suporte da cidade, sem custos para a administração municipal.
Dados anônimos para melhorar a mobilidade urbana
Além de incentivar a mobilidade sustentável, o projeto gera informações anônimas sobre os padrões de deslocamento a pé e de bicicleta na cidade. Esses dados podem apoiar decisões estratégicas sobre infraestrutura urbana, identificando áreas com maior concentração de mobilidade ativa e orientando melhorias que atendam às necessidades reais da população.
Expansão para São José dos Campos e próximos passos
A próxima cidade a receber a tecnologia da Bion será São José dos Campos, interior de São Paulo, com início previsto para novembro de 2026. Lá, o projeto terá um escopo mais amplo, incorporando ações relacionadas à energia renovável, reciclagem, compostagem e plantio de árvores, além da mobilidade ativa.
Para o fundador da Bion, essas primeiras experiências em cidades brasileiras servirão para validar o modelo tecnológico e econômico, preparando o caminho para uma expansão nacional. A startup busca parcerias privadas para viabilizar essa ampliação, com o objetivo de consolidar um ciclo sustentável e benéfico para o país.

