Ação para barrar partido pacifista nas eleições russas
Aliados do governo russo moveram uma ação para tirar das eleições legislativas de setembro o Yábloko, partido que se posiciona contra a guerra na Ucrânia. O Supremo Tribunal da Rússia anunciou nesta sexta-feira (7) que vai avaliar o pedido de exclusão da legenda da disputa eleitoral.
A solicitação foi feita pelo Ródina, pequeno partido nacionalista alinhado ao Kremlin. O líder do Ródina, Alexei Zhuravlev, acusa o Yábloko de agir com apoio do Ocidente para minar a credibilidade das eleições e do próprio país.
Acusações e reação do Yábloko
Em vídeo, Zhuravlev chamou os membros do Yábloko de “traidores da pátria” e declarou que eles não deveriam ter espaço nem na Duma, a Câmara dos Deputados russa, nem no território nacional. A agência Reuters destacou que o tom dessas declarações foi especialmente ameaçador, mesmo dentro do atual contexto político russo, marcado pela repressão a críticos do Kremlin.
O Yábloko anunciou que pretende processar Zhuravlev por difamação. O líder da legenda, Nikolai Rybakov, afirmou que o partido está sendo alvo justamente por defender o fim da invasão ordenada por Vladimir Putin.
“Eles querem nos retirar das eleições porque defendemos a paz, enquanto eles querem prolongar indefinidamente a tragédia da guerra”, disse Rybakov, segundo a Reuters.
Decisão judicial e cenário eleitoral
O Supremo Tribunal da Rússia deve analisar o caso na segunda-feira (10). Caso o pedido seja aceito, os candidatos do Yábloko podem ser impedidos de participar da eleição para a Duma, prevista para setembro.
O Yábloko é o único partido oficialmente registrado no país que defende publicamente um cessar-fogo com a Ucrânia. Para esta eleição, a legenda busca ampliar sua representatividade e transformar a votação em um momento para demonstrar que há oposição à continuidade da guerra dentro da Rússia.
Representatividade e apoio popular
Fundado em 1993, o Yábloko já teve alguma influência nos anos que sucederam o fim da União Soviética, mas não consegue eleger deputados para a Duma desde 2003. Mesmo assim, seus dirigentes apontam que a rejeição à guerra cresce principalmente entre os jovens eleitores.
Segundo a AFP, quase um terço dos cerca de 400 candidatos apresentados pelo partido têm menos de 30 anos. Pesquisa do instituto Levada indica que 64% dos russos apoiam negociações de paz com Kiev, percentual que sobe para 78% entre os jovens de 18 a 24 anos. O governo russo classifica o Levada como “agente estrangeiro”.
Contexto político e perspectivas
O Rússia Unida, partido que sustenta politicamente Vladimir Putin, é amplamente favorito para manter o controle da Duma. A Reuters aponta que a legenda deve vencer com facilidade a eleição de setembro, mesmo diante da oposição crescente representada pelo Yábloko.

