Investimento histórico em energia renovável no Nordeste
Pernambuco se destaca no cenário energético mundial ao receber um aporte de R$ 60 milhões para a instalação da Usina Suape II, no Cabo de Santo Agostinho. O projeto será a primeira termelétrica de grande porte movida a etanol, com capacidade inicial de 4 MW, utilizando o primeiro motogerador a etanol de médio porte já desenvolvido. Essa iniciativa ganha ainda mais importância diante da instabilidade global provocada por conflitos no Irã e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, que evidenciam a fragilidade de países que dependem do petróleo para seu abastecimento energético.
Parceria estratégica para inovação e autonomia energética
O empreendimento é liderado pela Savana Holding, em colaboração com a multinacional finlandesa Wärtsilä, e conta com a participação da Petrobras, que detém 20% do projeto e está diretamente envolvida nos testes técnicos por meio de seus centros de pesquisa e desenvolvimento. O protótipo atual é apenas o começo: a Savana planeja expandir a capacidade instalada para pelo menos 600 MW, o suficiente para atender mais de 2 milhões de famílias através do Sistema Interligado Nacional, com o objetivo final de implantar uma planta de 100 MW totalmente alimentada por etanol.
Benefícios ambientais e eficiência energética
Além da inovação tecnológica, a Usina Suape II traz ganhos ambientais significativos. A Suape Energia, responsável pela execução, destaca que a termelétrica a etanol pode reduzir as emissões de CO₂ em até 90% em comparação ao diesel. Embora o motor a etanol apresente eficiência energética entre 39% e 40%, ligeiramente inferior ao motor a diesel, que converte entre 46% e 48% da energia do combustível em eletricidade, ele emite apenas 10% do CO₂ gerado pelo motor a diesel. As emissões de NOx e material particulado também são consideravelmente menores, alinhando o projeto às metas do Brasil para 2035, que visam corte de 59% a 67% nos gases de efeito estufa em relação a 2005.
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Impacto econômico e geopolítico para a região
Segundo José Faustino, CTO da Suape Energia, o momento geopolítico atual reforça a importância do projeto. Ele destaca que a termelétrica a etanol é uma resposta estratégica contra a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis e representa um avanço tecnológico e econômico para o setor energético. A expectativa é que, com a operação plena da Usina Suape II, haja um impulso no desenvolvimento regional e na cadeia produtiva do agronegócio nacional, criando empregos e fortalecendo a economia local.
O projeto utiliza uma cadeia de suprimento de etanol já consolidada no Brasil, o que reduz a dependência de importações e contribui para a estabilidade do sistema elétrico nacional. A previsão é que o motor esteja em operação plena até o segundo semestre de 2026, consolidando Pernambuco como um polo de inovação em energia limpa e renovável.
