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    Esportes

    Ricardo Rocha revela o papel do Recife na conquista do tetra e avalia a Seleção de Ancelotti

    Juliana AlbuquerquePor Juliana Albuquerque08/06/2026
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    Ricardo Rocha revela o papel do Recife na conquista do tetra e avalia a Seleção de Ancelotti
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    O Recife como ponto de virada para o tetra de 1994

    Antes de encerrar um jejum de 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira precisou de um renascimento no Recife. Para o ex-zagueiro Ricardo Rocha, o gramado do Arruda foi o verdadeiro ponto de partida para a campanha que culminou no tetracampeonato nos Estados Unidos. Em entrevista ao Diario de Pernambuco, durante o lançamento do documentário “Tetra: Acreditar de novo”, da Netflix, Rocha ressaltou que duas partidas realizadas na capital pernambucana foram decisivas para o sucesso brasileiro em 1994.

    “Sempre digo que o Recife foi fundamental para a mudança de mentalidade da Seleção e para o carinho do público. A transformação começou quando chegamos, à noite, e vimos o aeroporto cheio de torcedores. Antes, em jogos em São Paulo e Minas, fomos vaiados. A mudança de patamar do Brasil ocorreu no Recife, com o apoio da torcida”, relembra o ex-jogador.

    O gesto das mãos dadas e a união da equipe

    Ricardo Rocha também revelou que o famoso gesto das mãos dadas, símbolo da união do grupo em 94, surgiu nos gramados do Arruda. “Esse gesto nasce no Recife e acompanhou a equipe até o último jogo da Copa. Foi um ponto crucial para a reação dos jogadores”, afirma.

    As partidas históricas mencionadas ocorreram em 29 de agosto de 1993, quando o Brasil goleou a Bolívia por 6 a 0 pelas Eliminatórias, e em 23 de março de 1994, com a vitória sobre a Argentina por 2 a 0, com dois gols de Bebeto, em amistoso preparatório. O apoio da torcida pernambucana foi repetido em ambas as ocasiões, fortalecendo a confiança do time.

    Contexto da conquista e desafios enfrentados

    O percurso do Brasil na Copa de 1994, realizada nos Estados Unidos, foi marcado por momentos emblemáticos como o “embala neném” de Bebeto, o grito “É tetra” e a defesa decisiva de Taffarel nas penalidades contra a Itália. Para Ricardo Rocha, reviver essa história através do documentário foi um privilégio.

    Leia também: São Paulo se destaca como o clube que mais contribuiu para a seleção brasileira nas Copas de 1994 a 2002

    Fonte: reportersorocaba.com.br

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    Fonte: ctbanews.com.br

    “Essa é uma história muito bonita. Grande parte da minha geração sofreu com a derrota de 1990 e enfrentou muitas críticas. A conquista de 1994 representou uma volta por cima, fruto da garra, força e união do grupo”, conta o ex-zagueiro.

    Pressão externa e o luto no país

    Além da pressão esportiva, o Brasil vivia um momento de luto no primeiro semestre de 1994, após a morte do ídolo Ayrton Senna. A Seleção embarcou para os Estados Unidos com a missão de devolver esperança e alegria ao torcedor brasileiro. Luis Ara, diretor uruguaio da série documental, destaca o impacto desse contexto na equipe e na narrativa do tetra.

    “Eu lembrava da Copa decidida nos pênaltis, mas ao pesquisar, descobri um universo enorme: as dificuldades nas Eliminatórias, as tragédias no Brasil, como a morte do Senna e do Dener, que criaram um ambiente único para essa história”, explica Ara.

    O papel de Ricardo Rocha e a liderança de Danilo em 2026

    Machucado no primeiro jogo da Copa de 1994, Ricardo Rocha assumiu um papel de liderança silenciosa, atuando como elo entre jogadores, comissão técnica e diretoria. “Ele se tornou um dos integrantes mais importantes do grupo, mostrando que a força vem além dos 11 em campo”, ressalta o diretor do documentário.

    O ex-zagueiro aponta paralelos entre sua experiência e o atual ciclo da Seleção. Com um novo jejum de 24 anos, a equipe precisa de líderes dentro do vestiário. Ricardo destaca o lateral Danilo como peça-chave para essa função, pela confiança do treinador Ancelotti e pela experiência adquirida.

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    Fonte: gpsbrasilia.com.br

    “Danilo foi o primeiro convocado e tem a confiança do Ancelotti. Ele é experiente, tem uma boa cabeça e será fundamental fora de campo para unir o grupo”, avalia Rocha.

    Convocação de Neymar e estratégias de Ancelotti

    Outro ponto de comparação entre 1994 e 2026 é a convocação de jogadores considerados fundamentais para o elenco, ainda que contestados. Antes da Copa de 94, Romário teve sua presença questionada. Agora, o técnico Ancelotti optou por anunciar Neymar apenas no último momento, gerando expectativa no público.

    “A estratégia de Ancelotti de trazer Neymar por último é inteligente e demonstra o controle e manejo do grupo, assim como Felipão em 2002 e Parreira em 1994”, analisa Luis Ara.

    Para Ricardo Rocha, a presença de Neymar no Mundial é positiva apesar das críticas recentes e das lesões sofridas. “Neymar não vai pela campanha recente, mas pela qualidade que tem. Os jogadores pedem por ele para dividir a responsabilidade, o que é importante para os mais jovens”, conclui o tetracampeão brasileiro.

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    Juliana Albuquerque

    Tem o hábito de percorrer estádios de bairro, quadras cheias e arquibancadas de Pernambuco ouvindo jogadores, técnicos e torcedores para entender como cada jogo mexe com a vida de quem está por perto. Nas reportagens, organiza bastidores, números e histórias de Recife e região de um jeito direto, para que o leitor enxergue além do placar e entenda o que realmente está em jogo.

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