Influenciador Lito Sousa morre após luta contra doença rara
O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa faleceu nesta quinta-feira (1), aos 59 anos, depois de meses de tratamento contra a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurodegenerativa rara. A confirmação da morte foi feita pela esposa de Lito, Mila Seidl, por meio das redes sociais.
Em uma postagem emocionante, Mila escreveu: “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre”, junto a um vídeo que resgata momentos marcantes da vida do casal e da trajetória de Lito.
Tratamento e cuidados paliativos diante de avanço rápido
Nos últimos meses, Lito Sousa estava submetido a tratamentos experimentais para tentar controlar a progressão da doença. A DCJ é conhecida por seu avanço acelerado e ausência de cura efetiva, o que levou o influenciador a receber cuidados paliativos, focados no controle dos sintomas e na manutenção da qualidade de vida. Ele chegou a ser internado diversas vezes nas últimas semanas para suporte médico.
Em julho, o quadro de Lito foi divulgado publicamente, quando esteve internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com um diagnóstico de inflamação no sistema nervoso central. Naquele momento, ele apresentava perda parcial dos movimentos e dormência no braço esquerdo.
Em 21 de agosto, Mila confirmou que Lito enfrentava a doença de Creutzfeldt-Jakob. Apesar da perda significativa dos movimentos, Lito permanecia lúcido. Os médicos aconselharam que ele aproveitasse essa “janela” de tempo para se comunicar, planejar e estar junto à família, diante do avanço da doença.
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Comunicação e apoio familiar diante do diagnóstico
Mila revelou que Lito decidiu contar ao filho do casal, de sete anos, o que estava acontecendo. Também gravou um vídeo para falar sobre o próprio estado de saúde enquanto ainda mantinha a cognição preservada. Em suas palavras, ele declarou não ter medo da morte e expressou gratidão pela vida que teve e pelo apoio da esposa durante toda a trajetória.
Busca por tratamentos experimentais com apoio do Ministério da Saúde
A condição de Lito mobilizou o Ministério da Saúde para apoiar a inclusão dele em estudos clínicos experimentais. O ministro Alexandre Padilha publicou em sua conta na rede social X que a pasta formalizou o pedido para que Lito participasse da fase inicial dos testes do único estudo clínico ativo identificado até o momento, realizado em Harvard, nos Estados Unidos.
O estudo PRiSM, conduzido pela Universidade de Harvard, Instituto Broad e Universidade de Massachusetts, testa um RNA de interferência (siRNA) para combater a DCJ. Apesar do esforço, Mila informou que os estudos não estavam aceitando novos participantes, o que dificultava o acesso ao tratamento experimental.
O Instituto Broad afirmou em comunicado que, embora ainda não existam tratamentos eficazes para a doença priônica, estão avançando rapidamente na pesquisa, inclusive com ensaios clínicos. A equipe de Lito manteve contato com os pesquisadores para avaliar as possibilidades, mas a inclusão no grupo que recebe a medicação ainda dependia de avaliações adicionais.
Legado e trajetória de Lito Sousa na aviação civil
Lito Sousa conquistou reconhecimento nas redes sociais ao compartilhar conteúdo didático sobre aviação civil, aproximando o público do universo dos voos e ajudando a superar medos relacionados ao tema. Seu carisma e conhecimento atraíram uma legião de seguidores que acompanhavam suas explicações sobre acidentes aéreos e procedimentos de segurança.
Além disso, Lito foi cofundador da Lito Academy, um centro de instrução em aviação civil, junto com sua esposa, que é empresária do setor. Sua atuação deixou um legado importante para a comunidade de aviação, unindo informação e empatia.
O impacto da doença de Creutzfeldt-Jakob na vida de Lito Sousa evidencia os desafios enfrentados por pacientes e famílias diante de enfermidades neurodegenerativas raras. A busca por tratamentos avançados e o apoio da rede pública mostram a importância da ciência e da solidariedade nesses casos.
Este caso reforça a necessidade de atenção contínua à saúde pública, ao acesso a cuidados paliativos e à pesquisa em doenças que, apesar da raridade, causam grande sofrimento e demandam respostas urgentes da medicina.

