Incentivo à mobilidade ativa com tecnologia e recompensas
O Recife experimenta uma nova forma de incentivar deslocamentos sustentáveis por meio do projeto Mova-se pelo Futuro. Em apenas um mês de funcionamento, a iniciativa validou 5.524 trajetos, totalizando mais de 20 mil quilômetros percorridos a pé ou de bicicleta. Mais de 3 mil pessoas já se cadastraram, e 116 recompensas foram resgatadas até agora.
Segundo os dados levantados, esses deslocamentos corresponderam a quase 3 mil horas de mobilidade ativa e evitaram a emissão de mais de 2,2 mil quilos de gás carbônico (CO²) em comparação com o mesmo trajeto realizado de carro. A proposta é clara: reconhecer quem escolhe caminhar ou pedalar para se deslocar, reduzindo o impacto ambiental.
Como funciona o registro e a validação dos trajetos
O projeto é uma parceria entre a prefeitura do Recife e a startup Bion Global, responsável pelo desenvolvimento da tecnologia por trás da solução. Para participar, o usuário deve ser maior de 18 anos e acessar o Conecta Recife, aplicativo oficial da prefeitura, sem precisar baixar nenhuma outra ferramenta.
Antes de iniciar o trajeto, o participante seleciona o meio de transporte — caminhada, bicicleta convencional ou elétrica — e inicia o registro. Ao chegar ao destino, encerra o percurso. O sistema analisa os dados via GPS para validar se o deslocamento atende aos critérios do programa.
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A cada 30 quilômetros percorridos em trajetos aprovados, o usuário recebe um crédito H3RO, que pode ser acumulado e trocado por benefícios no marketplace da plataforma. Entre as recompensas disponíveis estão descontos em seguro para bicicletas, vouchers para transporte por aplicativo e acesso a um clube de ofertas, com possibilidade de expansão por meio de novas parcerias.
Critérios para validação e limitações do sistema
O foco do Mova-se pelo Futuro está em incentivar deslocamentos úteis, como ir de casa ao trabalho, faculdade ou comércio. Caminhadas e pedaladas feitas apenas para exercícios ou lazer não entram no programa. A ideia é substituir trajetos que normalmente seriam feitos de carro, diminuindo as emissões de gases de efeito estufa.
O algoritmo avalia distância, tempo, velocidade média e pontos de início e fim do percurso para garantir que o trajeto tenha finalidade prática. Por exemplo, uma caminhada circular que começa e termina no mesmo local pode ser rejeitada. No entanto, como a tecnologia ainda está em fase experimental, podem ocorrer distorções, como aprovar trajetos de veículos presos no trânsito.
Durante o período de testes, a empresa responsável ajusta o algoritmo com base nos feedbacks recebidos, buscando aprimorar a precisão da validação.
Contexto e potencial do projeto para Recife e além
O Mova-se pelo Futuro foi selecionado pelo Programa EITA Labs, iniciativa de inovação aberta da prefeitura que permite testar tecnologias em ambientes reais antes de uma possível expansão. A experiência tem duração prevista de um ano, tempo em que serão avaliados o funcionamento da solução, o perfil dos usuários, as recompensas mais atrativas e o potencial para incentivar deslocamentos sustentáveis.
Para a startup Bion Global, Recife representa o cenário ideal para o projeto. A cidade enfrenta desafios de mobilidade, possui terreno predominantemente plano, facilitando caminhadas e pedaladas, e conta com uma população engajada em iniciativas socioambientais. Além disso, a capital combina economia dinâmica e apelo turístico, servindo como vitrine para inovações que podem ser replicadas em outras cidades.
Integração com o ecossistema local e impactos esperados
De acordo com Viviane Kawashima, secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Recife, o modelo permite que empresas testem suas soluções na cidade sem custos para a prefeitura, inserindo tecnologias dentro do que chamam de “sandbox digital”. O cidadão não paga nada para participar e não precisa instalar outro aplicativo, pois o sistema está integrado ao Conecta Recife.
Ao término do projeto, a prefeitura deverá receber um relatório detalhado com os resultados da experiência e informações sobre a mobilidade ativa na cidade. Esses dados serão fundamentais para orientar políticas públicas que apoiem quem opta por caminhar ou pedalar, promovendo um Recife mais sustentável e conectado.

