Pernambuco registra maior idade média para infarto
Pernambuco apresentou a maior idade média entre pacientes diagnosticados com infarto agudo do miocárdio (IAM) em um estudo elaborado pela Rede D’Or. Conforme divulgado durante o Congresso Internacional de Cardiologia Rede D’Or 2026, no Rio de Janeiro, a média de idade dos pernambucanos que sofreram infarto foi de 70 anos, superando os demais estados analisados.
Fatores de risco mantêm alerta elevado
Apesar da ocorrência mais tardia dos eventos cardiovasculares em Pernambuco, especialistas destacam que isso não reduz o risco para a população local. Hipertensão arterial, colesterol alto, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo seguem como os principais fatores ligados ao desenvolvimento da doença cardiovascular.
O levantamento considerou 4.921 pacientes atendidos entre janeiro de 2025 e março de 2026 em 59 hospitais da Rede D’Or, distribuídos entre Pernambuco, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Destes, 2.194 foram diagnosticados com infarto, enquanto 2.727 apresentaram angina instável.
Comparativo entre estados aponta diferenças significativas
Entre os estados analisados, Pernambuco lidera com a maior idade média entre os pacientes com infarto, conforme o estudo:
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- Pernambuco: 70 anos;
- Bahia: 69 anos;
- Distrito Federal: 67 anos;
- Minas Gerais: 67,5 anos;
- Rio de Janeiro: 62 anos;
- São Paulo: 58 anos.
A diretora nacional de Cardiologia da Rede D’Or, Olga Ferreira de Souza, explica que os pacientes da região Sudeste apresentam perfil mais jovem em comparação aos do Nordeste. A especialista sugere que o estresse, especialmente nas grandes metrópoles, pode contribuir para essa diferença, embora não haja estudos científicos conclusivos que comprovem essa relação.
Principais fatores de risco e impacto na mortalidade
Os cardiologistas ressaltam que a maior idade média em Pernambuco não significa proteção contra doenças cardiovasculares. Segundo dados do Ministério da Saúde, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e tabagismo são fatores que favorecem a aterosclerose, responsável pelo estreitamento das artérias e pelo surgimento do infarto.
O cardiologista André Casarsa destaca que essas condições estão presentes mesmo entre pacientes atendidos na rede privada. Conforme o estudo, 70% dos pacientes apresentavam hipertensão arterial e 40% tinham colesterol elevado durante o primeiro evento coronariano.
A pesquisa também revelou que os pacientes que vieram a óbito após o infarto tinham idade média cerca de dez anos maior do que os sobreviventes. A taxa geral de mortalidade entre os 4.921 pacientes analisados foi de 2,4%.
Olga Ferreira ressalta que infartos em pessoas mais jovens podem ser igualmente graves. Em muitos casos, a obstrução ocorre de forma súbita em uma única artéria, sem que o organismo tenha desenvolvido circulação colateral suficiente para compensar a interrupção do fluxo sanguíneo.
Importância do atendimento rápido e prevenção
O estudo avaliou ainda o tempo de atendimento nas unidades da Rede D’Or, indicando que o intervalo médio entre a chegada do paciente ao pronto-socorro e a realização do eletrocardiograma foi de apenas cinco minutos. Esse exame é crucial para confirmar o diagnóstico de síndrome coronariana aguda e iniciar o tratamento rapidamente, minimizando riscos de sequelas e mortes.
Especialistas lembram que manter hábitos saudáveis, controlar pressão arterial, colesterol e diabetes, praticar exercícios regularmente, evitar o tabagismo e buscar atendimento imediato ao sentir sintomas como dor no peito, falta de ar, suor frio ou sensação de desmaio são as principais formas de prevenção contra o infarto.

