Tradição e entusiasmo no Recife para a Copa do Mundo 2026
Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, que terá início no dia 11 de junho, o Recife já vive o clima contagiante que envolve as cidades quando o maior evento do futebol mundial se aproxima. Apesar dos avanços tecnológicos, a capital pernambucana mantém uma tradição que atravessa décadas: as ruas são enfeitadas com as cores da bandeira do Brasil, criando um ambiente de confraternização e expectativa em torno da Seleção Brasileira.
Na Rua Lopes de Carvalho, no bairro da Madalena, essa prática acontece há mais de 30 anos. As irmãs Suely e Sheila Cohen, moradoras locais, relatam que tudo começou na Copa de 1990, quando reuniam familiares e amigos para acompanhar as partidas. Em 1994, Suely teve a iniciativa de pintar a bandeira do Brasil na rua para fortalecer a união dos vizinhos, ideia que rapidamente foi adotada pela comunidade.
Um legado que une gerações e fortalece a torcida
“Tudo começou com encontros para assistir aos jogos com amigos e familiares na Copa de 1990, geralmente na minha casa. Em 1994, decidi pintar a bandeira para reunir amigos e seus filhos. A pintura contagiou a vizinhança, que passou a se engajar e querer participar. A iniciativa sempre esteve aberta a todos”, lembra Suely Cohen.
O tetracampeonato conquistado naquele ano consolidou a continuidade da tradição, que se intensificou em 2002, com mais um título do Brasil. Para as irmãs, independentemente do desempenho da seleção, a pintura da bandeira e de outros símbolos nacionais representa um momento de celebração e união.
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Essa tradição segue viva nas novas gerações. Clara Campos, nascida em 2000, cresceu participando das atividades ao lado da avó e da família. Ela destaca a importância de transmitir essa experiência para os mais jovens, levando seu irmão pequeno para manter acesa a chama da torcida.
Preparativos para a Copa reforçam o espírito comunitário
Para o Mundial de 2026, os moradores organizaram uma grande pintura coletiva no domingo, 31 de maio. Sob a coordenação de Sheila Cohen, o evento contou com a tradicional feijoada e a colaboração dos vizinhos, que levaram petiscos e ajudaram a compor as obras nas ruas. Apesar da chuva pela manhã, o sol apareceu e permitiu criar imagens que vão além da bandeira, incluindo homenagens a Pelé, a camisa oficial da Copa e a figura do Zé Carioca.
“Este ano minha avó chegou a pensar em não pintar, mas como muitas pessoas perguntaram sobre a data, ela decidiu organizar novamente. Choveu bastante pela manhã, mas o sol apareceu e ficou o dia todo, possibilitando que fizéssemos artes lindas. Normalmente pintávamos só a bandeira, mas na última Copa incluímos a frase ‘Rumo ao Hexa 2022’. Agora, em 2026, reforçamos as pinturas anteriores e adicionamos o Zé Carioca, as estrelas do hexa, a camisa oficial da Copa e uma homenagem ao nosso querido Pelé”, explicou Clara Campos.
Expectativas e confiança em meio ao pessimismo
Apesar do pessimismo de alguns torcedores quanto às chances do Brasil conquistar o hexacampeonato, entre os moradores que mantêm essas tradições o sentimento é de otimismo e fé na equipe. Clara observa que, mesmo diante das críticas, a expectativa de superar desafios pode impulsionar o time.
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Fonte: agazetadorio.com.br
“Muita gente diz que este ano não vamos ganhar, que a seleção não está tão boa. Por outro lado, colegas acreditam que o Brasil vai vencer, pois na última conquista ninguém tinha esperança. Estamos na mesma situação agora, então vamos buscar quebrar as expectativas. Eu me mantenho confiante e com esperança de que o hexa vem”, afirmou.
Decoração e participação infantil animam bairro de Areias
No bairro de Areias, na Rua Camará, a tradição também é forte. Os moradores destacam a participação das crianças, que além de ajudar na pintura, se divertem com decorações temáticas, como uma amarelinha nas cores do Brasil. Juliane Lins, moradora local, reforça que a prática é fundamental para manter vivas as memórias e o entusiasmo nas novas gerações.
“É um sentimento de amor, amizade e união muito grande. Não é só um jogo, é manter vivas as memórias, principalmente para as crianças. Queremos que elas guardem na lembrança toda essa energia e o clima de Copa, de ver e torcer pelo Brasil”, destacou Juliane.
Tradições que resistem ao tempo e conectam o país
Mesmo diante das mudanças culturais e do jejum de títulos, que já iguala o maior período sem conquistas — 24 anos — o Brasil segue mobilizando suas torcidas por meio de tradições populares que vão além do campo. No Recife, essas manifestações ganham vida nas ruas, unindo moradores e reforçando o poder da Copa como festa nacional capaz de atravessar gerações e consolidar a identidade brasileira.
