Inovação sonora no Quilombo Urbano da Xambá
No Quilombo Urbano da Xambá, em Olinda (PE), jovens estão desenvolvendo uma nova geração de instrumentos musicais que misturam ancestralidade afro-brasileira, cultura popular e tecnologia digital. Essa iniciativa acontece por meio do projeto Bongarbit, que combina tambores tradicionais, cabaças, circuitos eletrônicos, sensores digitais e samples sonoros para criar experiências musicais contemporâneas únicas.
Formação e parceria que transformam territórios
O Bongarbit é realizado pelo coletivo de mesmo nome em colaboração com o Instituto Fab Lab Rec, contando com patrocínio da Transpetro e do Ministério da Cultura, por meio do Programa Rouanet Nordeste. A escola oferece uma formação gratuita que abrange música, fabricação digital, tecnologia, empreendedorismo e cultura afro-brasileira, com atividades que acontecem entre julho de 2026 e fevereiro de 2027, tanto em Olinda quanto no Recife.
Mais do que uma simples escola técnica, o Bongarbit funciona como um laboratório cultural e tecnológico onde tradição e inovação caminham juntas. A proposta investiga novas possibilidades musicais a partir da percussão popular, transformando memória e identidade cultural em plataformas para a inovação sonora e tecnológica.
Instrumentos híbridos e dinâmicas criativas
Os jovens participantes trabalham diretamente na soldagem de circuitos eletrônicos que se integram a instrumentos tradicionais, desenvolvendo interfaces sonoras digitais e criando híbridos que unem madeira, tambores, sensores e softwares usados na música eletrônica atual. As atividades acontecem no Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar – Guitinho da Xambá e no Instituto Fab Lab Rec, dentro do Porto Digital, referência em inovação tecnológica no Recife.
Entre as criações do coletivo estão instrumentos inéditos como “Engome Adubado”, “Agbau” e “Botões Falantes”, que combinam materiais como cabaças, madeira reutilizada, canos de PVC e componentes eletrônicos para expandir as possibilidades sonoras da percussão afro-brasileira.
Sustentabilidade, inclusão e empreendedorismo
Além da dimensão artística, o projeto dialoga com temas atuais como sustentabilidade, reaproveitamento de materiais, inclusão digital, democratização tecnológica e economia criativa. Muitos instrumentos são construídos com materiais reciclados, enquanto a formação inclui uma trilha específica de educação empreendedora, fortalecendo a autonomia criativa e a geração de renda dos participantes.
Thúlio Xambá, uma das lideranças do projeto, destaca que a iniciativa busca inverter a lógica tradicional da tecnologia no Brasil. Segundo ele, “a periferia quase sempre aparece apenas como consumidora de tecnologia. O Bongarbit parte de outro lugar: aqui a tecnologia nasce da cultura popular, da ancestralidade e da inteligência criativa do próprio território”.
Agenda cultural e circulação ampliada
Como parte da programação, o projeto realiza o “Café com Bongarbit”, um encontro mensal aberto ao público que promove vivências em torno dos instrumentos orgânicos e digitais, incentivando a experimentação musical, a troca de saberes e a valorização da memória e tecnologia ancestral. Além disso, serão feitas oficinas itinerantes em oito municípios pernambucanos, ampliando o acesso e fortalecendo as conexões entre cultura popular e inovação tecnológica no estado.
